PEÇA DE TEATRO
GÊNERO COMÉDIA
Número de personagens: Dois (1 homem e 1 mulher)
SINOPSE:
ELA, prendada, criada para o casamento “até que a morte os separe”.
ELE,”galinha”, se converteu a”santo”, após o casamento.
CENÁRIO: Em um boteco, Walfrido está sentado em uma mesa. Em cima da mesa, várias garrafas vazias e na frente, um copo com bebida, pela metade. Desanimado, absorto em seus pensamentos, sendo cada gole, um sofrimento.
MÚSICA AO FUNDO: “Eu bebo sim…estou vivendo. Tem gente que não bebe, está morrendo…”
FIGURINO:
ELA -Vestido estampadinho, até os joelhos, mangas curtas.
ACESSÓRIOS: Bolsa grande de plástico “brilhoso” verde limão. Dentro da bolsa, 1 frigideira e um revolver.
ELE – Bermudão e camiseta c/propaganda !Feliz para sempre”, chinelos havaianas nos pés.
ACESSÓRIOS: 1 escovinha redonda p/pentear os cabelos e 1 palito de dente.
TE CONHEÇO, WALFRIDO!
WALFRIDO -Oh, ZÉ! Vê mais uma loura, aí! Esta já está quente! (pausa pequena) O casamento é uma merda.Esse boteco é uma merda e você, Zé…(apontando c/o dedo)…você é um tonto…assim, igual a mim! Porque você tb é homem! Você é homem, não é Zé? Claro que é! Fomos criados juntos. A gente, não só “varreu o bairro”, como “passamos escovão” nos arredores. (pausa pequena) Olha, ZÉ! Escuta o conselho de um amigo, ex-comedor: Enquanto tiver dinheiro e com “pique na pica”, não se case! Fica na tua, Zé! Prá que complicar? Tu se ferra quando se apaixona. De tonto, passa a bobo e casa. (grita) Zééé!!! E a minha lourinha? Vem ou não vem? Você já ficou com o pé na cova alguma vez, Zé? Pois é como eu estou me sentindo. Um vivo-morto, há 15 anos…Quanto mais eu penso… Eu raciocino também! Quanto mais eu me esforço, menos eu entendo as mulheres (pausa pequena) (grita) Zé! CACÊTE!!! Trás logo outra loura aí, pô!
AMELIA (entra uma fera) – Walfrido, seu safado! Salafrário! Eu estou a tempos te procurando e você aqui…enchendo os canecos… Parece que aqui, tu é sócio de carteirinha! (insinuando) Lá em casa…nada!
WALFRIDO – …mas…Amelia…
AMELIA – Cala a boca, seu cachorro! (começa a examinar a platéia e se volta para Walfrido) Não se faça de salame comigo! Vai! Diz: Com qual dessas peruas tu tá galinhando agora?
WALFRIDO – Amor da minha vida! Eu só estava…
AMELIA – Cala a boca, Walfrido! Eu te conheço cara! Você não pode ver um rabo de saia, quejá quer “fazer a bainha”. (olhando para a platéia…procurando)
WALFRIDO -Amelia, estava muito quente…esse “verãozão”…eu só vim tomar uma cervejinha…
AMELIA – Tá! Tá! Tá! “Não espana, Walfrido!” Se não estava com a intenção…por que não me chamou? E quem é essa “verãozão”? Só pode ser uma mulher! Você sempre gostou de “mesa farta”.
WALFRIDO (não dando bola ao que Amelia disse) – Você tinha ido na casa da minha querida sogra e como demorou…
AMELIA (voltando para perto de Walfrido) -…e como eu demorei, você aproveitou prá vir “ciscar” por aqui. (falando com ela mesma, choramingando) Ah, minha Nossa Senhora das Futuras Viúvas…intervenha! Esse homem, ainda, acaba comigo! O que eu fiz para merecer um homem como esse? (pausa pequena/volta a fera)
-Olha aqui, Walfrido! Eu sei que você tá me traindo. Tenho certeza! Só falta eu te pegar no flagra. E quando isso acontecer, Walfrido…(com o dedo em riste, ameaçadora)…quando eu te pegar…(Amelia congela)
WALFRIDO (levanta-se e vai falar com a platéia, apresentando a sua esposa, normal, sem estar bêbado)
-Amelia doa Anjos Taboa, 35 anos, minha esposa.
Eu tinha 28 anos, quando a conheci. Na tenra idade, eu já era o garanhão do pedaço. Tendo um par de coxas e alguma coisa no meio…
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TE CONHEÇO, WALFRIDO