Ahh…como queria ter um amor assim…esse romantismo, essa conquista terna e linda!
O que me faz amar um homem?
Só ser desejada de nada adianta: quando acaba o suadouro, o que resta?
Eu, realmente, acreditava que o que me fazia amar um homem era a inteligência.
Elucubrações e digressões me impressionavam. Conhecimentos literários, artísticos, práticos, seduziam a eterna adolescente em mim. Descobri que não era isso que me fazia amar: de nada adianta um cérebro invejável, citações brilhantes, se ele não rir das próprias besteiras, se não souber aproveitar as delícias do ócio de um sábado quente. Então percebi: bom humor era essencial.
É delicioso estar com alguém que vive sem arrastar correntes e faz dos pequenos horrores cotidianos, inevitáveis piadas. Só que nem tudo é uma piada e, em certas horas, quero alguém que me conforte a alma. Nesses momentos, nada pior do que ser levada na brincadeira – existe uma imensa diferença entre a alegria de viver e a recusa a sair da infância. Então, fui invadida pela certeza de que o que me fazia amar alguém era, antes de tudo, a sensibilidade.
Telefonemas de bom-dia, olhares que vêem, pequenos gestos incontidos – tudo o que eu podia querer. Ou quase! Só sobrevive ao meu lado alguém que me sinalize quando eu passar dos limites do bom senso, demonstre desagrado quando eu exigir demais e oferecer de menos. Um homem de ATITUDES.
Quero ser domada, tomada, conduzida, usada e abusada…no bom sentido, é claro! Necessito me sentir 100% mulher…quero um HOMEM que faça com que eu aposente meu “lado homem”… Esse lado moderno de decidir tudo! Quero ser mulher todos os dias!
Todo amor dura o tempo em que ele for cuidado. Assim como uma flor, se não adubarmos, regarmos e colocarmos ao sol o amor morrerá se for ignorado. …
Preciso ser cuidada, mas preciso da certeza de estar com um homem de verdade e não com um moleque preso no complexo de Peter Pan. Todo amor dura o tempo em que ele for cuidado. Assim como uma flor, se não adubarmos, regarmos e colocarmos ao sol, o amor morrerá se for ignorado. …
De repente, nem inteligência, bom humor ou sensibilidade podem me fazer amar alguém. Talvez a virilidade!
Mal abrir a porta da sala e ser consumida por beijos. Ter a roupa arrancada no caminho da cozinha. Ser desejada com urgência é um dos maiores elogios que uma mulher pode receber, mas SÓ ser desejada de nada adianta: quando acaba o suadouro, o que resta? Se o que interessa é a movimentação, tudo bem! Mas se existe a possibilidade de ser esmagada pelo vazio de sentido após o orgasmo, de nada vale. Pelo menos, se não vier acompanhado de cuidado, carinho. Pensei, então, que a virilidade seria a pedra fundamental para despertar o meu amor. Mas carinho é um sentimento abrangente demais: nos invade desde a visão de um cachorro abandonado até a palavra confortadora de um desconhecido.
Até que um dia, cansei de tentar adivinhar. E, nesse dia, após tantas enumerações paralisadoras e neuróticas, descobri e hoje sei, exatamente, o que me faz amar um homem: o amor existir. Amar é admirar com o coração. Admirar é amar com o cérebro. A mulher só ama quando admira.
Quando é necessário justificá-lo, procurá-lo, racionalizá-lo, é sinal de que ele não está ali. Para amar um homem é preciso estar de mãos dadas, confundir-se com o outro pela manhã, não tendo certeza do seu próprio corpo. Ter cuidado para não despertar o sono dele. Espiar seus sonhos, sentindo a respiração e observando a cortina das pálpebras, até que se abram, e que se revelem os olhos ainda com o reflexo preguiçoso e sonolento da alma, que fica ali debruçada enquanto ele dorme. Ama-se um homem, depois de ter velado seu sono e sentido o sabor de suas lágrimas.
Percebi que alguém com sangue quente e correndo nas veias…alguém que não tem vergonha nem medo de chorar, de pedir desculpas, de reconhecer que pode errar, que se emocione, que demonstre publicamente amor, que saiba admirar o seu parceiro, que seja amigo, cúmplice e fiel…principalmente fiel à ELE mesmo…e às suas atitudes…esse sim, sabe amar e se deixar amar.
Tudo o que eu podia querer…um homem que sente o que é ser mulher!