"GATA, PODE ME CHAMAR DE GANDULA, 
PORQUE EU TÔ TE DANDO BOLA"


                                                                                                                 

 

"GATA, SE EU PUDESSE ESCOLHER OS ITENS DA  MINHA CESTA BÁSICA, EU IA ESCOLHER VOCÊ E

   ESSAS SUAS CARNES"
"GATA, VOCÊ NÃO É MAL DE PARKINSON, MAS ME FAZ TREMER, SUA LINDA"  
HUM. . .ESSE "GATA",  JÁ É O FIM!!!


*Se conselho fosse bom e desse din din. . . Você quer acabar com "qualquer boa intenção", comece um papo assim:

                                                                 _Tudo bem, gata?   ou   _E, aí, gata?

Com um comportamento, que mais parecia de uma manada no cio, homens-moleques, conseguiram desconsertar uma jovem de uns 25 anos, quando provocaram um pandemônio em uma rua famosa de São Paulo. Uma sinfonia de buzinas tomou conta dessa rua, em uma tarde de sábado. Eu estava subindo devagar, a uns passos atrás dela, indo para a Paulista. De repente, todos os carros que passavam começaram a buzinar. A moça, coitada, abaixou a cabeça e continuou subindo devagar, enquanto todos os palhaços que passavam, buzinavam e gritavam alguma grosseria pra ela. Como mulher, me senti muito mal. Difícil entender, o que faz alguns homens agirem assim, com esse comportamento de manada. Sim! Manada, pois é só quando estão em grupo, costumam mostrar a sua “força”, se comportando dessa maneira.  A moça estava sendo hostilizada. Buzinaço e palavrões não são homenagens. O que ela fez pra receber isso? Nada! Tirando, o que muitos homens gostariam, de terem nascido com uma vagina, andava sozinha, sem um macho para protegê-la. Vestia um jeans, camiseta branca e uma sapatilha, discretamente colocados, em cima de um corpo malhado. E foi como sempre acontece: um idiota começou a buzinar e a assoviar, o que fez com que todos os outros seguissem atrás, um querendo "cantar" mais que o outro. 

O meu profundo mal-estar, causado por essa cena, não foi incomum. Em pesquisas realizadas, comprovaram que mulheres, não apenas não gostam de ouvir cantadas na rua, como veem isso como uma afronta ao seu gênero, ficando com raiva dos homens em geral, não só daquele cretino em particular. Segundo pesquisas feitas em 114 universitárias americanas (que assistiram a um vídeo de um carinha dizendo uma asneira para uma mulher na rua, e foram convidadas a se imaginar como expectadoras, não alvos, desse ato), falar gracinhas na rua é um desserviço que os homens prestam a todos os homens. Dá pra entender? Se você é homem e diz gracinhas ofensivas para as mulheres na rua, não só não vai conseguir comer ninguém, pois nós mulheres achamos que essa atitude é de quem tem "pinto pequeno", como ainda vai martelar na cabeça da mulherada o clichê “homem não presta mesmo”.

Enfatizando: mulheres não gostam de cantadas na rua. Aquela ladainha de sempre, tratando a mulher como um pedaço de carne em  açougue, pendurada e cheia de moscas é o “Ó”.  Se você conhece mulher que gosta de ouvir esse tipo de cantada, fique sabendo que é exceção. Tá bom, vai! Existe uma minoria que gosta de passar na frente de uma construção... UPA! UPA! Os homens (com amigos por perto) não cantam uma mulher para agradá-la. Cantam para mostrar que é o garanhão do pedaço. Estão podendo!!! Grosserias em grupo são uma forma de socialização masculina, uma competição para ver quem fala a besteira mais besta. E, quando é individual (poucos tem coragem), é para que se lembre de quem manda, quem está no poder, quem nasceu para avaliar e quem nasceu para ser avaliada. Essas cantadas grosseiras dá medo, mas se experimentarmos responder a essa cantada com um convite: 


                                          “Você ganhou, garanhão!  Vamos transar agora mesmo”
                                                             Quanto você quer apostar que a maior parte dos caras sai correndo?

                                                                 MULHERES NORMAIS, DEIXAM ALGUNS PEDREIROS ENVERGONHADOS. . .

                                                                         _________________SÓ DEVOLVENDO AS CANTADAS .

 
                                                            Cantada é prima próxima de estupro:  tem muito mais a ver com poder, do que com sexo. E esse é um dos motivos pelos quais uma grosseria tem pouca relação com o jeito que a mulher está vestida. Qual mulher já não foi cantada usando roupas hiper desleixadas ou mesmo bem vestida? Você acha que mulheres fora do padrão estético vigente, não ouvem coisas na rua? Ser elogiada na rua, com um "gostosa", um "linda" ou um "vemnimim", pode até parecer carinhoso, mas tem um machismo. . . tão embutido.

Nós mulheres, somos constantemente avaliadas por homens nas ruas. Sei que muitos não pensam assim (os poucos que são mais educados, diria) mas é cultural, é um machismo embutido... Sorrir e dar um "oi"?  Um "oi" é muito mais íntimo do que um "linda", já pensou nisso? NÃO é uma honra para mim, receber um assovio ou um "gostosa", para não citar tantas outras pérolas, que alguns homens são capazes de produzir. Não gosto dessa coisa sexista, mas a verdade é que na nossa cultura esse tipo de grosseria é tido como "natural".  Não é, não!

 

Natural é eu ter a mesma liberdade que os homens para perambular por onde for, vestindo o que quer que seja, sem ser constrangida.  Infelizmente, 90% do que nos passa pelos ouvidos na rua, é cafajestagem. Isso não sou eu que falo, apenas, faço parte dessa porcentagem. O que a mulher quer?  Deve estar se perguntando!  A nossa sociedade tem uma grande covardia, uma dificuldade enorme em se comunicar, um pé atrás muito firme na hora de elogiar de verdade. Para abordar a mulher, a maioria chega com cantadas pré-fabricadas, rotinas decoradas,  elogios espalhafatosos (quando tem coragem de abordar). Acho que um sorriso ou um "oi", realmente, seriam mais íntimos que um "caralho, que gostosa", e talvez esse seja exatamente o problema para os homens: intimidade.  Ser, realmente, íntimo de alguém é difícil, um grande desafio lidar com um pessoa real. Lidar com uma "transeunte-gostosa-que-gosta-de-ser-elogiada-por-estranhos" é bem mais simples, só seguir o roteiro pré-estabelecido para  "homens-de-colhões-que-elogiam-sem-pudor". Elogios, elogios mesmo, são muito diferentes das cantadas de "pedreiro" (sem preconceito à profissão)

                                                                                                                                                                                       

"Gata, você não é piolho, mas não sai da minha cabeça...sua lendia!"

Realmente, há uma grande maioria de homens que são machistas, porém, é ilusão e até masturbação mental, ver tudo como machismo. Explico: Quando o homem elogia a mulher, ele só a está elogiando porque ela está linda! É rude e grotesco falar "ô lapa de buceta, ô lá em casa", mas um elogio simples tipo "noossa, hein?", "que maraviiilha" acho que não é tão insultante assim. Existe um abismo, entre elogios e cantadas. Machismo sem tamanho, enrustido na sociedade. Aposto que, se após umas dessas "cantadas grosseiras" eu parasse e dissesse para esse cara, na frente dos amigos dele, com toda a calma do mundo:                                                                                             "Jura que vc me chupava inteira?  Só se for agora. Quer que eu tire o vestido inteiro ou só a calcinha?"

 Ele ia calar a boca e, ainda, pedir desculpas...gaguejando!

A grande questão está na forma como o elogio é feito e na diferença entre palavras de elogio, algo simpático ou estilo "aquele-cara-que-é-bacana-mesmo" - tipos de elogio que nós também podemos ou poderíamos fazer a um homem - e uma abordagem que já deixa de ser elogiosa e passa a ser só um "e aí, tá a fim?", dito nos mais variados graus do estilo "garanhão de churrascaria".  Para mim, o conteúdo machista aqui, está no homem que fala, e não na fala em si. O mesmo "linda" que em geral eu acho sim bacana de ouvir, porque me soa como um elogio, simpático, gostoso de receber, se fosse dito por um garanhão de churrascaria me ofenderia. Mas esses em geral são mais da turma do "Aê, gostosa!", que do grupo, "Linda...".  Acho que é a postura do homem que fala, que nos dá essa diferenciação, entre machismo e simpatia. Às vezes, fico pensando que nós mulheres, tornamos as coisas mais difíceis para esses poucos homens que realmente querem ser gentis.         

                                                                                                                                                                                                    NÃO ACHAM?

"VemNiMiM, MiNhA LiNdiA!"

  ALGUMAS,  VOCÊ  ACABA ATÉ RINDO,  MAS  OUTRAS. . .

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